Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

20.8.10

Quadrinhos não são mais para crianças

Artigo já "clássico" de Marcus Ramone, publicado no Universo HQ em 15/03/07 - cada vez mais relevante...

"São os adultos, e não as crianças, que ajudam o mercado de quadrinhos a sobreviver". Esse foi o título de uma matéria publicada no último dia 13 de março no site do jornal norte-americano The Detroit News. Segundo o texto, a média de idade dos leitores de HQs nos Estados Unidos, que já era alta (18 anos) em 1989, hoje é ainda maior: 30 anos.

No artigo são levantadas questões como a que indaga se casos semelhantes à da chocante cena de estupro em Crise de Identidade, minissérie protagonizada por heróis famosos como Batman, Mulher-Maravilha e Super-Homem, são um reflexo do quanto os quadrinhos estão virando coisa para adulto, ou se apenas representam a causa do afastamento das crianças dessa mídia.

A verdade é que, ao mesmo tempo em que estimulam a renovação de leitores com ações promocionais e de marketing direcionadas às crianças, Marvel e DC - só para citar as gigantes do setor nos Estados Unidos - produzem revistas em quadrinhos que dificilmente serão digeridas por esse público.

Isso, é claro, se reflete no mercado de outras praças, como o Brasil, um dos países que mais consomem gibis de super-heróis das duas maiores editoras norte-americanas e de outras mais que eventualmente têm alguns de seus títulos publicados por aqui. Quem imaginaria, até pelo menos os anos 1990, ler uma recomendação de faixa etária na capa de um gibi com as aventuras de Demolidor, Pantera Negra e Cavaleiro da Lua, como pode ser visto na recém-lançada Marvel Action (Panini)?

Editoras dos Estados Unidos também estão investindo pesadamente em graphic novels, que acompanhadas dos adjetivos "luxuosas", "caras" e "adultas" são garantias de sucesso, mesmo que nos atuais padrões, longe das marcas recordes de milhões de exemplares vendidos de uma única edição. Tanto que, em 2005 e no ano passado, esses álbuns especiais com a indicação "para leitores maduros" (mesmo que, de fato, o conteúdo de algumas obras permitisse uma "censura livre") estiveram no topo do ranking de vendas de revistas em quadrinhos naquele país e estão ditando uma nova tendência.

Os recentes cancelamentos de títulos da Disney nos Estados Unidos são apenas um pequeno capítulo dessa história que cada vez menos envolve as crianças em sua trama. Quem tiver a oportunidade de adquirir algumas edições atuais dos gibis norte-americanos da turma de Patópolis, por exemplo, verá que as seções de cartas contêm exclusivamente mensagens de leitores adultos. O fato de, em sua imensa maioria, essas HQs serem apenas republicações de aventuras dos anos 1960 a 1980, não é mera coincidência.

Vale lembrar que a Disney também foi vítima de uma enxurrada de cancelamentos no Brasil e em Portugal, países em que os leitores desses quadrinhos, a exemplo dos Estados Unidos, são representados em grande parte por maiores de idade.

Dessa forma, as revistas em quadrinhos adultas - e as juvenis - de todos os gêneros estão preenchendo muito mais da metade do espaço nas bancas ou comics shops.

No Brasil, entre os poucos títulos infantis que ainda sobrevivem, os da Turma da Mônica, sozinhos, detêm mais de 70% do mercado nesse segmento. E, embora exista uma renovação constante de crianças leitoras das histórias dos personagens de Mauricio de Sousa, metade do público desses gibis ainda é composto por adultos, segundo informações do próprio quadrinhista.

Coleções luxuosas como Luluzinha, Recruta Zero, O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks e Turma do Pererê, lançadas no Brasil com preço alto e apelo saudosista, e da mesma forma nos EUA com Calvin & Haroldo, Peanuts, Pimentinha e muitos outros, só corroboram o fato de que, por mais paradoxal que possa parecer, a maioria das publicações infantis está sendo produzida somente para o deleite dos adultos.

Seguindo esse raciocínio, o jornalista Mike Antonucci, autor da matéria do The Detroit News, afirmou categoricamente que a indústria dos quadrinhos está e continuará em declínio, e não é preciso entender isso como um caso restrito aos Estados Unidos. Se, amanhã, não houver adultos suficientes com um interesse mínimo por gibis (pois eles seriam as crianças de hoje que têm pouca afinidade com esse hobby), como essa indústria sobreviverá?

A resposta pode estar no velho clichê, de que "só o tempo dirá".

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Crédito da imagem: DC Comics (uma das capas de Crise de Identidade)

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20.5.10

Quebrada a patente do fluido de teia

Cientistas quebram a patente do fluido de teia de Peter Parker

Se o Homem-Aranha existisse de verdade, estaria furioso. Além de todas as agruras de sua vida após novos e complicados dias, o jovem cientista ainda teria mantido segredo, por décadas, de sua principal descoberta: como produzir uma teia de aranha artificialmente. Mas a ciência não dá trégua e, agora, as portas estão abertas para que, na vida real, isso seja possível.

A revista Nature desta semana traz um estudo, feito por cientistas das universidades Complutense de Madrid, de Oslo e de Uppsala, sobre a estrutura 3D do chamado "domínio N-Terminal" das proteínas componentes da teia das aranhas.

Parece complicado, mas é relativamente simples. Esses pesquisadores descobriram que as moléculas da proteína da teia organizam-se até formar uma espécie de cristal líquido, à medida que avançam ao longo de uma glândula localizada no abdômen da aranha. Ao sair desta glândula, este cristal se torna o que se conhece por teia.

Quando Stan Lee e Steve Ditko criaram o super-herói, em 1962, certamente não imaginavam o quão corretos estavam sobre o poder da teia aracnídea.

Segundo o jornal português Diário de Notícias, as fibras da teia são muito mais resistentes do que um cabo de aço de grossura semelhante e com elasticidade muito maior, podendo esticar até 135% do seu comprimento original sem se quebrar. As aplicações futuras deste material, se corretamente sintetizado, são enormes.

Seria uma pena se o pobre Peter Parker realmente existisse. Afinal, além de ter um de seus maiores segredos desvendados, não ganharia um tostão pela descoberta.

Fonte: Universo HQ (Delfin)

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Crédito da imagem: eszutu

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2.4.09

Frank Miller: Skrull?

Este artigo sobre a decadência (?) de Frank Miller é bem interessante. Eu pessoalmente nunca fui realmente fã dele (exceto talvez pela graphic novel Ronin, nenhuma outra consta entre minhas "preferidas de todos os tempos"), então talvez seja suspeito para falar... Mas fato é que hoje em dia ele beira o patético em seus projetos (Batman e Robin e o filme Spirit).

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