Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

21.8.07

O nascer de um urso (XX)

Atados pelos pulsos, e com capuzes de couro pesado nas cabeças, Oldalin e Allia nada podiam fazer para impedir que os orcs de Tindhur os arrastassem pela mata fechada da floresta. Apesar de serem muitos os orcs a escoltá-los, Allia temia pela sorte do grupo, e principalmente, de seu cavalo, caso fossem atacados por mais demônios. Afinal Gwair trazia escondido sob a cela o manuscrito com o segredo que deveria ser levado até Bak, e como já fora dito, isso era mais importante do que as vidas dos aventureiros.

Felizmente, o percurso se deu às escuras, mas sem nenhuma surpresa ou ataque demoníaco. De fato, Allia ficou até mais calma quando ouviu alguém ordenar em torak, seu próprio idioma, para que os orcs os libertassem.

Quando seus capuzes foram retirados, Allia e Oldalin se viram em meio a uma imensa tribo orc em meio à floresta. Ficava à margem do mesmo rio afluente que seguiam (ou talvez fosse outro), tinha várias cabanas de palha enegrecida por fuligem, e um tímido muro de bambus semi-destruído... Obviamente havia sido atacada pelos demônios, e aqueles que ordenaram que fossem libertos eram os cavaleiros da Espada Dourada, a escola de guerra que forma a guarda de Bak! Aparentemente, haviam tido a sorte grande de encontrar os oficiais de Bak em meio à própria região dos orcs na Floresta do Sul, algo tão reconfortante quanto intrigante...

“O que traz uma guerreira toraniana e um bárbaro rotuniano a essas terras desoladas?” – Perguntou um homem tão forte quanto Oldalin, vestido em uma armadura de guerra visivelmente marcada pela batalha que ocorrera naquela tribo.

“Seguiamos para Bak, senhor. Eu... Sou Allia, uma ex-guerreira de Soldur, e trago uma importante mensagem de meu mestre Selvanius. Uma mensagem que pode mudar o rumo da guerra contra os demônios.” – Respondeu Allia, enquanto tentava se situar, ao mesmo tempo em que procurava por seu cavalo em meio a tribo devastada.

O homem primeiro fez sinal para que outros dos seus se aproximassem, e então contou o que ouvira a outro, que provavelmente era seu superior na guarda de Bak. Este então se aproximou de Allia e Oldalin, com um sorriso na face, tão velho e cansado quanto ele mesmo parecera. Depois falou:

“Meu nome é Portrius Falkan, moça, e sou o comandante de Bak designado para resolver os crescentes ataques demoníacos na região ao sul do rio Baldan, até a fronteira com a Floresta do Sul... Estivemos aqui por pedido dos próprios orcs, que vieram buscar ajuda nos portões de Bak. Acredite, não foi uma batalha fácil... Aliás, não está sendo fácil para nenhum de nós lidar com o Surgimento. Qualquer ajuda contra os demônios será muito bem vinda.” – E terminou fitando Allia nos olhos, esperando que ela lhe entregasse um presente qualquer que pudesse lhe trazer uma alegria perdida em meio ao sangue e a morte dos companheiros...

Allia apenas olhou a volta, seguida por Oldalin, mas nem a sacerdotisa nem o bárbaro viram sinal de seus cavalos. Então Allia voltou-se para Portrius e se explicou:

“Desculpe-me senhor Falkan, mas por acaso nosso cavalos foram levados para alguma cocheira?”

“Cocheira? Não, nessa região da mata não existem cocheiras nem cavalos... Por acaso vocês entraram nessa região a cavalo?” – Respondeu o comandante.

“Não toraniano, nós chegamos aqui com capuzes e de mãos atadas, pois os mesmos orcs que ajudamos trataram de nos trazer dessa forma, de modo que não soubéssemos como regressar... Mas nós tínhamos cavalos, onde estão?” – Falou Oldalin, e embora sua voz estivesse agora branda, Falkan pode perceber uma certa mágoa por ter antes sido chamado de “bárbaro rotuniano” pelo outro membro de sua guarda...

Antes que pudesse se explicar, Allia ainda completou:

“Os cavalos são importantes para nós, pois não nos serviam apenas de montaria!” – E pressentiu o pior...

O comandante toraniano chamou um dos seus guardas e cochichou com ele alguma coisa, este então foi ter com os orcs e voltou com a resposta, que foi devidamente trazida aos aventureiros por Falkan:

“Sinto informar que seus cavalos foram levados para a estrada mais próxima e soltos... Mas nada tema, seus pertences foram trazidos em segurança, um de meus homens irá buscá-los agora mesmo.”

“E as selas, elas foram trazidas ou deixadas?!” – Perguntou a sacerdotisa, e o alarme de seu semblante era agora evidente.

“As selas foram deixadas sob os cavalos? Porque, elas tinham algum valor sentimental para vocês?” – Respondeu-lhe Falkan.

Allia fechou os olhos por breves instantes, e depois respondeu – “Posso senti-lo, mas Gwair está muito distante... Ele... Foi ensinado a chegar até Bak, que Ayon e os deuses fiéis o ajudem a chegar em segurança.
Ele carrega a mensagem que vim trazer sob a própria sela, era o melhor esconderijo para o caso de eu ser abatida. Nada está perdido ainda, mas precisamos chegar até Bak o mais rápido possível...”

Sentindo a verdade nas palavras da sacerdotisa, Falkan acalmou-a – “Nesse caso você está com sorte, guerreira de Soldur, pois eu e meus homens já estamos terminados pro aqui. Ajudamos a salvar essa vila de orcs, mas não me agrada permanecer entre eles por muito mais tempo. Partiremos amanhã cedo...”

Mas os aventureiros não podiam esperar, e após recuperarem seus pertences, saíram correndo pela margem do rio, esperando chegar no rio Baldan, e fora da imensa Floresta so Sul, ainda na manhã seguinte.

O sol já se punha, e era muito perigoso aventurar-se por aqueles lados sozinhos, mas para Allia e Oldalin o que importava era que a mensagem chegasse a Bak. A sorte de toda Pontepedra na guerra contra os demônios talvez estivesse dependendo apenas de um cavalo e sua mestra, e daquele que um dia foi o Grande Urso de Terralta.

Nota do Autor: à seguir, o Epílogo e algumas explicações...

Marcadores:

  • Adicionar ao Delicious
  • Adicionar ao Digg
  • Adicionar a Technorati
  • Adicionar ao seu mural no Facebook
  • Adicionar como tweet no seu Twitter

0 comentários:

Postar um comentário

<< Home