Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

8.8.07

O nascer de um urso (XIX)

O grupo prosseguia à passos largos pela mata fechada da floresta, haviam deixado o afluente do rio Baldan a algumas horas, mas não estavam desorientados em meio a selva: Bruergher vivera por toda sua vida naquela região, e era visível a melhora do seu humor a cada passada que dava em direção a sua casa, a tribo de Tindhur.

Apesar de estarem caminhando por horas a fio, Oldalin e Allia estavam quase que recuperados da exaustiva batalha contra os demônios alados. Ainda assim, rezavam para que chegassem logo a tal tribo orc, pois não comiam nada desde a noite anterior...

Caminharam até que o sol despontasse no topo do céu, quando o cavalo de Allia soltou um relincho de alerta, e puxou violentamente as rédeas da mão de Allia... Era sabido que os cavalos das sacerdotisas guerreiras eram especiais, e tinham um apurado senso de audição. O poderoso cavalo branco de Allia, aquele que trazia a mensagem de seu mestre escondida na sela, havia notado a presença de um grande grupo de orcs nas redondezas...

Sem saber do que se tratava, Oldalin pôs-se em posição de combate, com as duas mãos firmes no machado que havia à pouco selado a existência de um dos demônios alados... Bruergher, entretanto, tratou de acalmar o bárbaro:

“Calma, calma, rotuniano... Esses são os sentinelas de minha tribo, meus colegas. Ou por acaso achou que passaríamos tão perto de uma tribo orc sem sermos notados?” – Falou o orc gorducho, e nos seus olhos Oldalin notou que aquela fala mansa era uma ameaça velada.

“Abaixe sua arma, Oldalin. Gwair me disse que são muitos os sentinelas a se aproximar, mesmo que se tratassem de inimigos, não teríamos chance contra tantos.” – Completou Allia, ao notar que Oldalin mantinha sua mão firme no cabo do machado do Elmo.

Oldalin por fim abaixou sua arma, mas ainda tinha uma pergunta para Allia: “Gwair? E quem diabos é esse?”

“Ora, é o nome de batismo do meu cavalo. Foi escolhido pelos meus antigos mestres, os clérigos de Soldur.” – Respondeu Allia.

“Soldur? Oh, agora eu entendo... Porisso você é tão boa com sua maça de batalha, e não resolve seus problemas apenas com rezas e cânticos religiosos...” – Intuiu o bárbaro, no que foi interrompido por Allia:

“Eu fui sim uma guerreira de Ayon, mas depois descobri que nem sempre a melhor resposta contra o mal é o sangue e a morte dos que fazem o mal. Com Selvanius e os seguidores de Sananda eu aprendi que às vezes a melhor forma de se combater o mal é fazer o bem, e assim trazer aqueles que se perderam na sombra para a luz de Ayon, uma vez mais!”

A pomposa resposta da seguidora de Ayon deu margem a uma dúzia de novas perguntas na mente de Oldalin, mas não houve tempo para que elas fossem feitas naquele momento: pelo menos vinte orcs sentinelas de Tindhur haviam acabado de cercar o grupo. Eram todos ágeis e esguios, bem diferentes do gorducho que guiava Allia e Oldalin. Suas vestes eram panos verde musgo esfarrapados, que se mesclavam com o verde da mata, e escondiam cotas de malha, adagas e lâminas.

“Alto lá! Bruergher, quem são esses? E onde estão Grorg, Olô e os outros?” – Gritou um dos orcs a uns trinta metros de distância na trilha pela mata, e pôde-se perceber que haviam algumas flechas prontas para serem atiradas em direção ao grupo.

“Eu... Sinto muito, Bomban, mas eles foram ao encontro de Thrundaar. De meu grupo só mesmo eu consegui escapar dos demônios.” – Respondeu Bruegher.

“Demônios? Mas que diabos!” – à partir desse ponto o orc começou a falar em linguagem orc típica da região, de modo que Oldalin e Allia quase não entenderam o que se passava entre os sentinelas de Tindhur e o orc gorducho que, em teoria, ainda era um amigo.

Ao final de alguns minutos de “prosa”, o orc que falava com Bruergher deu ordem para que outros sentinelas se aproximassem, e estes traziam capuzes nas mãos...

“Ei, ei, Bruergher! Que você andou falando para seus amigos?” – Bradou Oldalin em seu tom costumeiro, e fez menção de pegar novamente seu machado.

“Hehe, você por acaso tem medo de que eu tenha ordenado para que eles lhes atacassem? Pois pode ficar tranquilo, rotuniano. Apesar de tudo, um orc de Tindhur não negará abrigo a alguém que lutou a seu lado contra os malditos demônios.

Eles vão apenas colocar capuzes nas suas cabeças, para que vocês não tenham como saber o caminho até nossa tribo... Imagino que façam isso na tribo de vocês também.” – Respondeu um simpático Bruergher.

Oldalin pôde relembrar de todos os convidados estrangeiros que já visitaram Terralta, e não conseguiu visualizar nenhum orc árido dentre eles. Era notável que um antigo chefe tribal rotuniano fosse agora um convidado em terras de orcs.

O bárbaro começara a mudar seu sentimento em relação aos “malditos orcs”, mas isso foi somente até um dos sentinelas enfiar abruptamente um capuz em sua cabeça, e depois amarrar seus pulsos aos de Allia com uma corda... Enquanto o nó era feito de modo a que os pulsos dos dois não saíssem ilesos, o bárbaro tinha apensas uma idéia na cabeça:

“Ah! Ah se não fossem vinte... Ah se não fossem vinte...”

continua...

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