Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

24.7.07

O nascer de um urso (XVIII)

Allia foi atrás dos cavalos, enquanto Oldalin tentava, com certo custo, levantar Bruergher. O orc estava desacordado, vítima do veneno das garras dos demônios com cabeça de corvo, e seu peso avantajado era um desafio para o bárbaro de Terralta, que estava fatigado após a batalha... De fato, foi preciso a ajuda de Allia para que o orc fosse posto na sela do cavalo do bárbaro. O outro cavalo, que trazia a mensagem dos monges Sanandan escondida sob a sela, era puxado de perto por sua dona.

O grupo se embrenhou na mata, ainda seguindo o afluente do rio Baldan, deixando para trás as carcaças sem vida das três bestas aladas que acabaram de enfrentar, assim como os corpos dos orcs da tribo de Tindhur, que elas assassinaram em segundos. Não tinham noção exata de onde ficava a tribo, mas concordaram que deveriam seguir o afluente do rio, sempre para norte, à fim de chegar cada vez mais próximo da borda norte da Floresta do Sul... Ainda era cedo, e já estavam cansados, seria mesmo ideal que achassem a tal tribo.

Após algumas horas de caminhada, perceberam que havia uma trilha pela mata, ela se afastava da margem do rio, mas talvez não fosse exatamente o caminho para a tribo de Tindhur. Oldalin e Allia estavam agora perdidos, e só havia uma pessoa que poderia ajuda-los a se orientar: Bruergher, o orc gorducho.

A sacerdotisa usou das poucas forças que lhe restavam após a exaustiva batalha para realizar uma rápida reza pela melhora do orc envenenado... Ela gesticulava e pedia para seu deus trazê-lo de volta a consciência. Foi o suficiente para que o orc acordasse de um sobressalto e se jogasse para fora do cavalo, no que foi agarrado por Oldalin antes de se chocar com o solo enlameado da floresta:

“O que!? O que aconteceu?... Gahhh, minha cabeça está queimando!” – Exclamou o orc, contorcendo-se de dor.
“Um dos demônios arranhou sua perna, e lhe inferiu algum veneno ou doença sombria... Fique calmo, amigo, que estamos rumando para sua tribo.” – Falou Alia, e sua voz tentou soar o mais amável possível.

“Amigo? Eu não sou seu amigo, bruxa toraniana! Você me enfeitiçou quando nos... Gaahhhh... encontra... mos... eu... Gahh... Estava tentando lhe ajudar, porque você me forçou... Ahhh!”

Oldalin havia ouvido por demais de um odiado orc árido: “Escute aqui, idiota, fomos nós que derrotamos os demônios. Não fôsse por ´nossa` ajuda, você teria tido o mesmo fim dos outros inúteis de seu grupo... E caso não tenha notado, ´nós` estamos tentando salvar sua vida!” – Exclamou Oldalin, e Alia teve que se intrometer entre os dois para que Bruergher não sofresse mais alguma agressão.

O orc gorducho, apesar de estar sofrendo de imensa dor, conseguiu concluir: “Você, t-tem razão... Ahh... Me perdoe eu... Gahhh... Gah... Eu preciso ingerir o antídoto, está na minha bolsa... Sobre o cavalo... Gaaah...”

Enquanto Bruergher urrava de dor, Allia achou vários frascos com líquidos de diversas cores na bolsa do orc. Cada um deles tinha uma inscrição a óleo... Mesmo com seu pouco conhecimento da língua orc, ela soubre encontrar o que continha o antídoto.

Oldalin abriu a bocarra do orc à força, enquanto Allia entornou o líquido transparente e viscoso pela sua goela. O orc engasgou e acabou vomitando... Mas eles sabiam que era necessário expulsar o veneno demoníaco de alguma forma.
Após muito tossir e expelir líquidos não muito aprasíveis, acabou por cuspir uma estranha bola de vermes... Eram vermelhos vinho, mas de pele pequenina e translúcida, de modo que pareciam brilhar numa estranha luz avermelhada.

Não sobreviveram por muito tempo fora do corpo do orc, ao menos não muito depois de Oldalin erquer uma enorme rocha da beirada do rio e jogá-la violentamente sobre eles...
Era o fim do infortúnio de Bruergher, mas seus salvadores ainda tinham dúvidas:

“Que espécie de maitranda era essa? Um veneno que cria vermes em nosso corpo?” – Indagou Oldalin.

“Sim, me pareceu ser algo extremamente letal.” – Concluiu Allia...

“Urgh... Me sinto aliviado por ter me livrado desses vermes... Preferiria à morte a isso!” – Respondeu o orc, deixando o bárbaro e a sacerdotisa um tanto confusos...

“Ora, mas você ia morrer.” – Falaram quase que ao mesmo tempo para o orc.

“Não... Não... Esse não era um veneno nem uma doença, mas sim uma maldição. Aqueles vermes iriam chegar a minha cebeça antes do sol se levantar do horizonte novamente... Eu sei porque vimos tais vermes saindo dos crânios sem vida de diversos dos nossos que tivemos de eliminar.” – Explicou o orc.

“Diversos dos seus!?” – Perguntou Allia confusa, mas com uma leve intuição de qual seria o desfecho daquela história.

“Sim, sim, minha ´amiga`. Os demônios muitas vezes matam os orcs mais fracos... Mas com alguns dos mais fortes eles fazem pior. Eles os possuem!”

De uma hora para a outra, toda a idéia do Surgimento se tornou algo muito mais assustador para o bárbaro e a sacerdotisa... Afinal, haviam enfrentado goblins possuídos a poucos dias, e sabiam que o poderio dos demônios poderia mesmo ser muito mais abrangente do que eles imaginavam até então. Alguns seres possuídos os atacariam abertamente, sem dúvida... Mas, e aqueles que os atacassem à surdina? Poderiam estar agora em qualquer lugar.

continua...

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