Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

11.7.07

O nascer de um urso (XVII)

O bárbaro correu, mesmo que cambaleante, com todas as suas forças. O medo que sentia era tão forte que seu coração parecia que batia dentro de própria cabeça, e quase não conseguia respirar de tão eufórico... A maitranda do demônio com cabeça de corvo era muito forte, tão forte que fez com que um valoroso guerreiro de Terralta abandonasse o campo de batalha, e deixa-se uma mulher para lutar em seu lugar: Oldalin tinha medo, mas estava furioso!

Tropeçando nos ramos e raízes da floresta, acabou caindo de novo ao solo, e quando olhou para o alto viu-se ao lado dos cavalos. Estavam mais agitados do que nunca, tanto que mesmo o cavalo de Oldalin quase não o reconheceu, e chegou a ensaiar um poderoso coice que talvez lhe arrancasse a cabeça... O bárbaro se recobrou aos poucos, como se o medo em seu coração lhe mandasse ficar ali, deitado e escondido nas moitas da floresta...

Mesmo assim, Oldalin levantou-se e conseguiu agarrar as rédeas de seu cavalo. A maitranda estava passando, e a fúria estava vencendo o medo.

Allia preferia bloquear as poderosas estocadas de lança desferidas pela besta demoníaca, era mais seguro arriscar-se a destruir seu escudo de aço trazido da distante Soldur do que ser pega desprevenida enquanto tenta se esquivar... Sua tática tinha uma grande falha, no entanto: ela não tinha como contra-atacar com sua maça, e portanto não tinha como ferir a criatura. Ao continuar do combate, se não pensasse rapidamente em uma alternativa, sem dúvida iria tombar ante a criatura.

A sacerdotisa decidiu tentar uma manobra arriscada: Largou a manopla de seu escudo, por onde mantinha-o seguro junto ao corpo, e deixou que ele voasse para longe com a estocada da lança do demônio. Este, no entanto, se desequilibrou, já que imaginava que o golpe seria defendido, e tombou em direção a Allia. Seu estômago foi quase dilacerado com um poderoso golpe da maça de batalha da sacerdotisa, e a criatura berrou de dor, no que mais parecia ser um insuportável piar de uma águia das colinas...

Mas não fôra o suficiente para dar cabo da criatura, mesmo com seu estômago sangrando, ela deu uma rápida e letal garrada na cabeça de Allia.

Pelo fio das unhas do demônio, que mais pareciam pequenas adagas, a sacerdotisa estaria indo se encontrar com Ayon, caso o seu elmo não estivesse entre as garras da criatura e sua face angelical. Infelizmente, o demônio tinha muita força, e começou a apertar o elmo de Allia, como se quisesse dilacerar um ovo. A casca era um elmo de aço forjado em Soldur, mas ainda assim a sacerdotisa não tinha muito tempo, ela tinha que se livrar do abraço mortal do demônio o quanto antes!

Oldalin veio correndo como um búfalo selvagem das Terras da Caça... Havia atado as rédeas dos cavalos a uma árvore, e voltou para ajudar a mulher que já salvara sua vida mais de uma vez: chegou bem a tempo.

A criatura demôníaca estava prestes a vencer a resistência do elmo da sacerdotisa, que tentava à qualquer custo se livrar do abraço letal, mas conseguira apenas ferir sua asa direita com algumas batidas de sua maça a meia-força. Allia estava já se preparando para o esperado encontro com seu deus e seus amigos que já haviam passado para o outro lado do véu mundano, quando de repente foi encharcada por um sangue quente e pegajoso, que jorrava das entranhas da besta.

Oldalin acabara de arrancar a cabeça de corvo da criatura, de modo que ela agora parecia um imenso corvo humanóide, abatido com um cutelo... Poucas vezes a sacerdotisa sentira nojo em sua vida, essa foi uma delas.

Quando empurrou a carcaça do demônio para o lado e retirou seu elmo, agora inutilizado pelas garras da besta, deparou-se com o bárbaro de Terralta ainda ofegante... Era como se a batalha ainda não ouvesse acabado para ele, então foi preciso alertá-lo que haviam vencido o perigo, por ora:

“Graças a Ayon conseguiu vencer a magia de medo da besta, não iria durar muito mais tempo nessa batalha. Tenho sorte de ter você a meu lado, Oldalin de Terralta... Mas agora, trate de abaixar o machado e se acalmar, ainda não estamos totalmente seguros.” – Sussurrou Allia, e Oldalin nem mesmo notou que pela primeira vez a sacerdotisa começara a nutrir uma afeição pelo bárbaro.

“Que venham! Vou mostrar a esses malditos demônios que as batalhas têm de ser vencidas a força e a sangue, e não com truques e maitrandas!” – Respondeu Oldalin, visívelmente exaltado.

“Shhh... Silêncio meu amigo. Mal sobrevivemos a este encontro com três bestas, seria inútil atrairmos mais delas. Pense no que realmente viemos fazer aqui, e pense também no orc que nos ajudou, e que agora necessita de cuidados...”

Oldalin voltou-se para o orc gorducho, que estava tremendo desacordado no solo... Sem dúvida as garras do demônio que lhe cortaram a coxa trouxeram mais do que um mero ferimento. O orc estava morrendo, era necessário que ele fôsse levado para sua tribo o mais rápido possível.

O machado do bárbaro era agora um amigo de orcs.

continua...

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