Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

11.6.07

O nascer de um urso (XV)

Todos correram em disparada, de modo que Allia e Oldalin aos pucos iam ficando para trás na fileira, já que eram os únicos que tinham de puxar por seus cavalos. Os orcs de Tindhur nunca caçavam com montarias. Em realidade, poucos orcs daquela tribo sabiam montar bem, pois a região da Floresta do Sul em que habitavam tinha a mata muito densa, e era cortada por diversos rios e córregos, andar à cavalo por aquela área era praticamente inútil.

Os gritos de guerra bradados em orc eram brutos e grutuais, como qualquer grito de guerra dos orcs áridos... Para Allia e Oldalin, tratava-se de uma situação ingrata: estavam chamando toda a atenção para os demônios, inclusive correndo em direção a eles!

“Não acha melhor ficarmos para trás e fugirmos para oeste, mulher?” – Gritou Oldalin enquanto corria, uma vez mais esquecendo do nome de Allia...

“Eu sinto que há muito perigo à nossa volta, não acho prudente tentarmos atravessar o restante da floresta sozinhos, pois é exatamente ao norte que os demônios estão à espreita, não é verdade?” – Respondeu Allia enquanto tentava a todo custo fazer seu cavalo de guerra se embrenhar pelo caminho estreito pela mata fechada.

“Bah! E por acaso você acha que esses orcs nos servirão de grande proteção? Eu só não acabei com esse grupo inteiro e com aquele orc gorducho porque me alvejaram com uma maldita flecha envenenada!” – O bárbaro arriscava-se a falar ríspidamente com Allia.

“E se lhe alvejarem com outra flecha dessas, Oldalin, você não servirá de proteção melhor do que os orcs de Tindhur... Ora, ao invés de se jogar sem cautela ao encontro dos demônios, seria melhor nos mantermos juntos dos orcs. Eu não pretendo enfrentar legiões de demônios, quero apenas levar a mensagem que está abaixo da sela de meu cavalo até Bak, é isso tudo o que importa!” – Respondeu a sacerdotisa de Ayon, e dessa feita conseguiu deixar o bárbaro de Terralta calado.

A grande fileira de batedores orc corria alguns metros a frente, quando de repente ouviu-se um grande grunhido sombrio, que ecoou pela mata à volta. Os orcs súbitamente pararam e interromperam seus gritos de guerra, tentando ouvir de onde vinha aquele estranho som... Após breves instantes de agonia e apreensão, mais três grunhidos soaram. Pareciam com o som de imensas aves de rapina, que voam próximas das Montanhas Rotun.

Mas não eram aves que caçavam no interior das matas da Floresta do Sul, e sim mortais seres alados...

Quando chegaram na pequena clareira que se formava no encontro da trilha com a linha do riacho, Oldalin e Allia viram os seres humanóides, com cabeças que se assemelhavam as cabeças de imensos corvos de penas rubras como o vinho, e um par de grandes asas vermelhas nas costas... Eles atacavam com vôos rasantes e empunhando imensas lanças de osso (ou talvez fossem de ébano).

A cada investida, conseguiam deixar um dos orcs fora de combate, seja matando-os ou ferindo-os gravemente... Em alguns segundos, somente Bruegher e sua péssima mira com o arco iria ser a resistência restante.

Os cavalos estavam agitados, como se o grunhido dos demônios os deixassem aterrorizados. Oldalin gritou para que Allia pudesse ouvi-lo em alto e bom som, apesar do barulho dos demônios e dos gritos de dor dos orcs impalados:

“Tente manter os cavalos calmos, Allia... Já está na hora de eu mostrar porque um dia fui o chefe caçador da tribo de Terralta!” – Em seguida, o bárbaro segurou o machado forjado pelos anões do Elmo na mão direita, e com a esquerda empunhou o antigo machado de seu pai, que guardara como item decorativo, mas que agora seria mais necessário do que nunca!

E enquanto Allia segurava as rédeas dos dois cavalos e tentava acalmá-los a todo custo, o bárbaro de Terralta saltou por cima de um rochedo e atrerrisou próximo a Bruegher. O orc gorducho tentava a todo custo acertar uma flecha em um dos malditos demônios, mas não vira que mirava em apenas dois, enquanto um terceiro se preparava para enfincar sua lança em suas costas largas.

O demônio com cabeça de corvo parou um momento no ar, para em seguida disferir seu rasante letal... Não ouve tempo para isso, pois Oldalin arressou o machado de Bak bem no meio de seu peito. O arremesso foi tão forte que mesmo antes de atingir o corpo do demônio alado, conseguiu partir sua lança. O demônio caiu sem vida a poucos metros da beira do riacho, e nesse momento seus comparsas pararam de atacar os orcs e se voltaram para Oldalin...

Eles pareciam surpresos com o que o bárbaro fizera com um dos seus, mas ainda assim não se demoraram em grunhir pavorosamente, e voarem de encontro a Oldalin com suas lanças em riste!

O bárbaro pensara em arremessar o machado de seu pai, já que o de Bak era muito superior, mas não quis arriscar a perder a última lembrança que tinha do pai... Era deveras irônica a situação: Oldalin perdera o pai quando este fora morto num conflito com orcs do norte, e agora valia-se do seu machado para tentar salvar esses mesmos orcs. De toda a forma, nada era mais odiável do que aqueles demônios.

Oldalin bradou as canções de Terralta, e atirou-se de encontro aos dois demônios.

continua...

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