Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

28.5.07

O nascer de um urso (XIV)

Pelo visto, os orcs de Tindhur eram desorganizados, sujos e maltrapilhos... Seria mesmo fácil escapar daquela fileira de orcs que caminhava descompassadamente pela floresta, mas como Allia havia “feito uma amizade” com o líder gorducho, por ora era mais seguro que ficassem com eles. Pior seria fugir e encontrar os demônios que deveriam estar atrás da mensagem à espreita, com os orcs pelo menos estariam mais seguros contra um ataque sombrio como o organizado pelos goblins possuídos.

Já estavam seguindo para norte por um bom tempo, sempre rente as margens do riacho em que Allia se banhara. A tarde já vinha chegando, e com ela Oldalin aos poucos ia recobrando a consciência. O veneno da flecha provocara apenas uma forte sonolência: por alguma razão, o orc gorducho e seus lacaios não queriam matá-lo, e isso já estava começando a atiçar sua curiosidade...

“Diga-me gord... Diga-me Bruergher, porque vocês não me mataram enquanto estive quase inconsciente no solo?” – Perguntou Oldalin enquanto trazia seu cavalo pelas rédeas, tentando parecer o mais cordial possível.

O avolumado orc virou-se para Oldalin com uma cara de poucos amigos e respondeu-o friamente: “Meu chefe, Balthazur, é um orc muito estudioso; Gosta dessas coisas de ficar sabendo quando e onde aconteceram coisas, e também é mais curioso do que um gato selvagem. Ele fez esses venenos que apenas deixam as pessoas sonolentas, para que possa depois conversar com elas. No seu caso, como quase arrancou a perna de um dos nossos batedores com os dentes, estava mesmo prestes a enviá-lo para além da Montanha... Mas como és amigo de Allia, hei de poupá-lo!”

“Ora, não importa se o veneno iria me deixar apenas sonolento, o que importa é que vocês nos atacaram sem aviso... Não é uma boa maneira de se fazer amigos ou descobrir coisas, devo lhe dizer!” – Respondeu Oldalin em tom ainda mais ríspido.

Nesse momento o bárbaro de Terralta e seu compatriota orc de Tindhur fitaram-se com grande raiva nos olhos... Apesar de serem habitantes ancestrais da Floresta do Sul, os rotunianos e os orcs áridos nunca foram povos muito cordiais uns com os outros, e não eram desconhecidas histórias de guerras e emboscadas entre as duas raças, ocorridas na fronteira norte-sul da grande floresta. Mais uma vez, foi preciso a intervenção da sacerdotisa de Ayon para que os ânimos se acalmassem:

“Não vamos julgar as ações um dos outros quando estamos aqui entre amigos... Ora, se eles lhe alvejaram, Oldalin, foi pelo medo de se tratar de um bárbaro mercenário a espreita, ou coisa pior. Da mesma forma, meu novo amigo, não há de condenar Oldalin pela sua reação “raivosa”... Afinal, qualquer um em seu lugar lutaria com todas as forças que tivesse. Ainda há de agradecer por seu batedor um dia poder voltar a caminhar.” – Falou Allia, e quando se calou, foi como se nenhuma discussão ouvesse ocorrido até ali. Oldalin e o orc gorducho se entreolharam uma vez mais, e logo após todos continuaram com a marcha para a tribo de Tindhur, rio acima.

A tarde fez-se noite, e o silêncio na Floresta do Sul continuava a gelar o espírito de Oldalin e Allia, que sabiam que algo não natural estava próximo... Algo capaz de fazer com que todos os animais se escondessem ou voassem para longe. Mesmo os cavalos relinchavam como se a própria floresta quisesse devora-los vivos. Após algum tempo de caminhada, viram os dois batedores orcs que iam à frente voltarem correndo em disparada:

“Bruegher, há fogo em Tindhur, a tribo foi atacada em nossa ausência!” – Bradavam desesperados.

O orc gorducho, líder do grupo de orcs que abordara Oldalin e Allia, puxou uma flecha de sua aljava e em seguida abriu um pequeno pote de cerâmica que estava vedado dentro de uma pequena bolsa que carregava presa na cintura. O líquido era vermelho como vinho, e em seguida ele mergulhou a ponta da flecha nele...

“Esse veneno nosso chefe criou para os demônios. Ele mata bem rapidinho, vocês vão ver!” – Falou com um leve sorriso nos lábios rechonchudos.

continua...

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