Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

28.4.07

O nascer de um urso (XII)

A noite caira à pouco sobre a Floresta do Sul, e os poucos raios de luz vindos da lua que conseguiam transpassar a densa folhagem de suas frondosas árvores só eram percebidos quando faziam o elmo de Allia brilhar. Ainda bem, pois quanto mais eles pudessem se confundir com a penumbra da floresta, menos chances teriam de ser avistados por algum demônio ou serviçal de demônio. Desse modo faziam seus cavalos andar vagarosamente, e se cobriam com capas de couro esverdeado, as quais os monges Sanandan recorriam frequentemente para se esgueirarem pela mata. Oldalin, com relutância, aceitou usar uma delas...

Porém, nem todos ali eram incansáveis. Por incrível que possa parecer, o cavalo de Oldalin foi o primeiro a demonstrar cansaço... Os bárbaros de Terralta eram orgulhosos de seus cavalos fortes e velozes, mas aquele havia já corrido bastante desde que saiu de sua tribo, e Oldalin foi obrigado a aceitar que o cavalo de guerra de Allia era mesmo mais resistente:

“Meu cavalo está cansado, conheço umas cavernas perto daqui onde poderíamos parar e nos esconder.” – Disse, em tom mandatório.

“Não deveríamos nos aproximar das paredes de Rotun, meu amigo, pelo que eu sei é precisamente de suas cavernas que estão surgindo os mais terríveis perigos para essa floresta... Vamos esperar amanhecer, enquanto isso podemos aproveitar e comer alguma ração que salvei de nossa carruagem, assim não precisamos usar fogo.”

“Está bem.” – Respondeu Oldalin em tom ríspido, e logo desceu de seu cavalo e ateou o estribo em um tronco de amêndoeira. Estava profundamente incomodado com aquela situação, mas não sabia o porque...

Talvez fosse porque houvera se esquecido de como era receber ordens, já que a muito tempo era líder de Terralta; Ou quem sabe não entendera ainda porque Allia o chamara de “meu amigo”... Mas a realidade que queria esconder de si mesmo era que sentia falta dos belíssimos olhos esverdeados da curandeira de Ayon, cuja visão havia lhe sido momêntaneamente levada pela noite escura da Floresta do Sul.

Ficaram ali, imóveis, ora mastigando um bocado de ração feita de mistura de pães, ervas e pequenas frutas vermelhas, ora rogando a seus deuses que a noite fosse breve... Até que os primeiros raios de sol venceram o horizonte e puderam prosseguir viagem.

Deveriam agora se dirigir a algum córrego afluente do Rio Baldan, pois estavam quase sem água em seus cantis. Rumaram para norte por toda a manhã, e a tarde precisaram abandonar de vez a linha da estrada que seguia para Bak, pois que essa não passaria tão cedo por nenhum riacho. A noite desse dia já estavam muito próximos das áreas das tribos de orcs...

Os orcs que habitavam a Floresta do Sul eram tão brutos quanto seus primogênios dos Ermos Profundos, mas a longa vivência ao ar livre e a luz do sol haviam esmorecido um pouco sua resistência, assim como tornado suas peles áperas um pouco mais bronzeadas do que acizentadas. No geral, não era o suficiente para que um bárabaro acha-se aqueles seres com narizes suínos e dentes pontiagudos mais aprazíeveis, mas ao menos esses orcs da floresta eram menos assustadores.

Oldalin, que conhecia a ferocidade de um orc em batalha, não poderia deixar de alertar sua companheira:

“Sei que estamos com sede e esse é nosso caminho mais rápido para os córregos, mas devo alerta-la que os orcs estarão entre nós e a água.”

“Contanto que sejam orcs normais, não hei de temê-los... Assim como existem diferenças entre os bárabaros caçadores do continente e os assassinos nas Ilhas da Chuva, aqui também existem orcs e orcs. Reze para que não cruzemos com aqueles que foram dominados pelo mal, e que hoje nos caçariam como aqueles goblins que matamos.” – Respondeu Allia, e logo após encostou seu cavalo sob um pinheiro, para mais uma noite de descanso, porém quase sem nenhuma água...

Oldalin desceu e girou seu machado no ar – “Faz muito tempo que não lido com orcs. Por mim, a única diferença entre eles e os goblins é que temos de girar o machado um pouco mais ao alto!” – E depois gargalhou por um breve instante, mas foi somente até sua nova amiga reprender-lhe, afinal não queriam facilitar as coisas para qualquer maldito orc demoníaco que os estivessem caçando.

continua...

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