Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

17.4.07

O nascer de um urso (XI)

Os gaviões flutuavam bem acima das copas das árvores, aproveitando algumas brisas que vinham do oeste com o final da tarde. A Floresta do Sul estava estranhamente calma e pacata, e Oldalin e Allia não encontravam ninguém pela estrada por um bom tempo... Mesmo evitando cavalgar pela estrada para não serem vistos, eles podiam observa-la entre um e outro atalho pela mata, e a falta de mercadores, mercenários ou viajantes era agora evidente.

Oldalin, que seguia a frente com o corpo inclinado sobre o pescoço do cavalo, com o machado do Elmo na mão direita, freiou sua montaria e virou-se para a curandeira:

“Faz algum tempo desdê que abandonamos a clareira, mulher, não acha estranho que até agora não tenhamos encontrado ninguém pela estrada até Bak?”

Allia arregalou os olhos e disse em tom solene – “Eu agradeço por continuar lembrando-me de meu sexo, ò guerreiro de Terralta, mas acho que já deveria ser a hora de você me chamar pelo mesmo nome que todos me chamam: Allia.”

Oldalin quase gargalhou, não estava acostumado a lidar com essas mulheres toranianas, que se acham tão valentes quanto os homens, mas de certa forma acabou concordando com ela – “É verdade... Allia... Lhe chamarei pelo seu nome a partir de agora. Será mesmo útil quando estivermos um pedindo a ajuda do outro, durante o combate, muito embora eu nunca tenha precisado da ajuda de uma mulher guerreira antes.”

“Pois bem, mas se ao acaso um dia precisar, espero que não morra por se achar homem demais para precisar da ajuda de minha maça.” – Retrucou a sacerdotisa, com um leve sorriso nos lábios.

“Talvez eu precise de sua ajuda para outras coisas... Você que veio do norte, de terras “civilizadas”, pode me dizer o porque de essa maldita estrada estar tão... vazia?”

Allia desceu do cavalo e retirou um pequeno cone de metal de uma escondida embaixo de sua cela. Estedeu-o a Oldalin e antes que ele pudesse perceber a beleza das imagens gravadas em sua superfície cônica, falou-lhe:

“O que levo até Bak é uma mensagem muito importante, um segredo que não deveria ter sido nunca descoberto, mas graças aos talentos divinatórios de nosso mestre Selvanius ele foi arrancado dos confins de Dordread... Nosso mestre porém não escapou ileso a afronta que fez aos lordes demoníacos, e desdé então tem tido acessos de loucura cada vez mais frequentes... Como... Uma maldição!”

“Ora m... Allia. Mas se isso é tão importante, porque carregas na sela do cavalo e não consigo?”

“Porque seu eu morrer, o cavalo saberá chegar a Bak sozinho, e ainda teríamos uma chance de alertar o restante de nossa ordem, e do mundo...”

Essa última frase mereceu um momento de contemplação de Oldalin. Afinal, a mensagem era mais importante do que a própria vida da curandeira da ordem Sanandan, e agora ele começara a se apereceber de que sua vida também não era tão importante quanto aquela mensagem... Por mais demônios que conseguisse decapitar com seu machado, sempre soube que viriam muitos mais, e um dia chegaria em que só machados e guerreiros não seriam mais suficientes para deter o Surgimento. Era preciso algo mais, talvez algo que poucos soubessem existir... Era preciso achar um ponto fraco no exército infernal!

“É porisso não? É porisso que a estrada está vazia... Os goblins possuídos que matamos a pouco eram tão somente serviçais dos demônios... Existem mais, e eles estão cuidando para que ninguém passe por essa estrada...”

Allia subiu novamente no cavalo, guardando cuidadosamente o cone de metal de volta em seu esconderijo, e respondeu ao bárbaro:

“Nosso objetivo não é matar todos os demônios que encontramos pela estrada... Nós vamos apenas passar, e Ayon há de nos fazer sombra, sem som, e sem cor.”

continua...

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