Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

30.3.07

O nascer de um urso (X)

O sol jazia quase no topo do céu, de modo que as amendoeiras e os pinheiros da Floresta do Sul já não ofereciam tanta sombra aos que descansavam pela manhã: a carroça dos monges Sanandan era agora um monte de cinzas, e os poucos monges sobreviventes não serviriam para proteger a sua sacerdotisa, e portanto, deixaram-na havia a pouco, despedindo-se de seus salvadores da tribo de Terralta e retornando pelo caminho do seu mosteiro ao leste.

Dentre os bárbaros de Terralta que já haviam acordado, muitos cochichavam sobre a decisão de Oldalin, enquanto outros questionavam se Cronn seria mesmo um bom líder para sua tribo. Alguns outros apenas comentavam sobre sua própria bravura em combate, ou lamentavam estar longe de sua tribo e suas crianças... De qualquer modo, a conversa entre Ruther e Gorz parecia ser a mais secreta e interessante delas:

“E então garoto, você ainda não me explicou como sobreviveu aquela bola de fogo...” – Aproximou-se sorrateiramente Ruther, com um sorriso na face.

“No início achei que estava morto, mas depois vi que saí dali sem qualquer queimadura. O que você acha? Seria ele?” – Retrucou o jovem batedor, inclinando a mão em que carregava o anel do monge sanandan para o rosto de Ruther, e eles puderam ver que dele ainda emanava um tênue brilho alaranjado.

“Sem dúvida garoto, mas ele é seu, você o pegou no final das contas. Um dia vi um anel desses à venda em uma caravana de mercadores do Mar de Areia, mas eles cobravam os olhos da cara. Sempre que for enfrentar uma bola de fogo, não esqueça de tê-lo posto no dedo!” – Disse o bárbaro viajado, e logo após levantou-se a retornou a sua tenda. Gorz então olhou para o anel e pensou que talvez Thrundaar o tivesse colocado em seu caminho por alguma razão... Sem dúvida, era um presente do Rei da Montanha, pois sem ele estaria agora reduzido a cinzas como seus amigos.

Quando o sol já ia descendo do céu novamente, os bárbaros de Terralta já estavam todos prontos e a postos para retornarem a cavalo para sua tribo. Todos, exceto por Oldalin o Grande Urso, que iria seguir com a curandeira Allia para a direção da cidade murada de Bak, ainda muitos dias ao norte.

Montado em seu cavalo, Oldalin despedia-se de cada um dos bárbaros que passavam, com um leve aceno de cabeça e, as vezes, um golpe de machado no ar. Enquanto muitos pensavam em vê-lo de volta logo após sua viagem até Bak, outros que o conheciam melhor sabiam que ele estava disposto a não voltar tão cedo, até que que tivesse a certeza de que os vis demônios não iriam assolar as terras bárbaras novamente.

Allia estava também em seu cavalo de guerra branco, que só agora muitos perceberam se tratar de um animal formidável, talvez até mais forte e robusto do que os puros-sangues dos bárbaros das planícies das Terras da Caça. Sua armadura de placas de metal entrelaçadas brilhava dourada refletindo os raios do sol, e ao contrário de Oldalin, era parecia estar apenas rezando ou meditando, sem despedir-se de cada um que passava ao lado deles... Isso foi até Ruther interrompê-la:

“Ei! Sacerdotisa... Espero que essa sua mensagem seja realmente importante. Você está levando consigo a arma mais poderosa de Terralta, sem ela não seremos os mesmos...”

Antes que Oldalin pudesse censurar o comentário de Ruther, a bela Allia respondeu calmamente, abrindo seus olhos verdes e encarando ao bárbaro poliglota:

“Não fui eu quem escolheu o seu líder, guerreiro de Terralta, mas posso dizer que nenhum de vocês estaria apto a tarefa que nos será exigida ainda em breve...”

“Sim, eu entendo. Me parece que nosso líder era afinal um escolhido de Thrundaar, e que não foi à toa que se tornou o Grande Urso.” – Falou Ruther, virando-se para Oldalin.

“Fico feliz que nunca tenha duvidado disso, Ruther. Mas agora digo-te para ir logo embora... Sei que adora aventuras e viagens, mas assim como achou que eu deveria ficar e defender nossa tribo, lhe peço agora que atenda o mesmo pedido.” – Respondeu Oldalin, ainda que com uma certa rispidez.

“E eu farei como o pedido. Que Thrundaar e os deuses da natureza guiem os seus passos e os afastem de Dordread o quanto possível! Adeus e até breve, que essa mensagem chegue rápida em Bak, e que ela possa ser a semente que exterminará os demônios de Terra Próxima!” – Bradou Ruther, e logo após empinou o cavalo e galopou para juntar-se aos outros que já haviam se embrenhado na floresta. O sol já estava quase a se pôr, e outra noite cairia sobre aquela clareira, encobrindo para sempre as almas dos monges e bárbaros que lutaram para que Allia e sua mensagem pudessem chegar a Bak.

continua...

Marcadores: ,

  • Adicionar ao Delicious
  • Adicionar ao Digg
  • Adicionar a Technorati
  • Adicionar ao seu mural no Facebook
  • Adicionar como tweet no seu Twitter

0 comentários:

Postar um comentário

<< Home