Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

18.3.07

O nascer de um urso (VIII)

Assim que o mago hobgoblin tombou sem vida ao chão, os poucos goblins que restavam na clareira e à volta da carroça sairam correndo em debandada, como se subitamente não existisse mais nenhuma razão para estarem ali. Nem todos passaram do perímetro da clareira para se embrenhar nas matas da Floresta do Sul... Alguns foram alvejados pelos bárbaros arqueiros, outros foram atacados por batedores à cavalo, que faziam a volta para cercar a área. Os bárbaros de Terralta, no entanto, pouco comemoraram, já que muitos deles também haviam tombado, se juntando aos monges assassinados e as carcaças de goblins que tingiam a floresta de sangue.

Todos correram para a área onde jaziam as vítimas da bola de fogo do hobgoblin... Alguns cavalos tiveram de ser sacrificados, apesar de ainda vivos. Dos homens que ali estavam, apenas um era tão forte quanto um cavalo de guerra, e porisso ainda estava consciente, mas talvez não por muito tempo.

"Cronn! Cronn está muito ferido! Temos de levá-lo aos curandeiros da tribo!" - Gritou Braubo ao ver Cronn estendido no solo, com boa parte do corpo e da roupa de peles de urso queimada.

"Não haverá tempo, ele precisa de ajuda imediata... Que diabos, não sei se minhas poções vão ser suficientes para salvá-lo." – Lamentou Ruther ao se aproximar do corpo.

Oldalin, que ajudara a matar alguns goblins que tentavam fugir, retornou com o machado do Elmo envolto em sangue:

"Tem razão Ruther, esses ferimentos são muito graves... Talvez um dos monges sobreviventes tenha alguma poção mas potente do que essas que você traz do norte."

Os bárbaros foram prontamente respondidos. O misterioso monge encapuzado parou seu cavalo junto ao corpo moribundo de Cronn, desceu vagarosamente, colocou seu escudo e sua maça de guerra apoiados na sela e se virou para Oldalin, deixando cair o capuz com ambas as mãos.

A cena que se seguiu ficaria gravada na memória do líder guerreiro da tribo de Terralta por muitos e muitos anos. O sol da manhã despontou no horizonte de copas de árvore, iluminando a clareira e todos que ali estavam com um tênue facho de luz. A figura a sua frente era deslumbrante, uma mulher guerreira da ordem dos monges de Sanandan; E que mulher! Seus olhos esverdeados e amendoados eram ainda mais bonitos do que sua face e seus longos cabelos castanhos, ou mesmo do que sua armadura de placas de metal cuidadosamente gravadas com símbolos místicos da ordem Sanandan.

Sua voz era estranha, de fato, era a voz melodiosa de uma mulher guerreira. E ela falou:

"Vocês não precisam de poções, bárbaros de Terralta, pois hoje vocês contam com a gratidão de Ayon e dos seguidores de Sanandan. Eu sou Allia, grande guerreiro, e meu deus há de curar os ferimentos de seu amigo."

Após se recompor daquela visão esplendorosa, Oldalin respondeu em tom seco:

“Se você pode curá-lo com a mesma habilidade com que defendeu sua ordem à pouco, siga em frente. Porém, devo dizer-te, mulher, que nós de Terralta respeitamos sua ordem, mas não acreditamos em seu deus...”

“Pois é melhor que passem a acreditar, ou seu amigo guerreiro pode ir para o outro lado em breve...” – Respondeu Allia, e logo depois ajoelhou-se ao lado de Cronn e começou a gesticular, fazendo círculos no ar pouco acima dos ferimentos que cobriam boa parte do corpo do bárbaro. Todos pararam para ouvir sua reza, que mais parecia um sussurro de algum pássaro perdido na manhã da Floresta do Sul...

Logo as mãos da guerreira da ordem Sanandan começaram a brilhar pouco mais do que os fachos vindos do sol, e esse brilho irradiava as queimaduras de Cronn, que ainda gemia de dor... Após algum tempo, Allia parou exausta, mas o bárbaro ainda não havia sido completamente curado:

“Irmão, sinto que você não acredita na boa intenção de meu deus, Ayon, não é verdade?” – Indagou Allia.

E o bárbaro, ainda muito ferido, respondeu como num último sussurro: “Se Thrundaar quis que eu perecesse dessa forma, é dessa forma que irei a seu encontro. Não preciso da ajuda de seu deus, mulher...”

Irritada, Allia aproximou seu rosto do rosto de Cronn, olhou em seus olhos e disse:

“Seu deus irá gostar se você puder levantar para lutar novamente contra os demônios que assolam esse mundo. Nós precisaremos de seu machado, filho da montanha, portanto aceite a minha ajuda!”

Não se sabe se foi por seu imenso carisma ou pela forma como ela falou, mas o fato é que naquela manha um bárbaro de Terralta aceitou a ajuda de uma seguidora de Ayon.

Após gesticular, um clarão de luz saindo das mãos de Allia irradiou novamente os ferimentos de Cronn, sarando quase que todos eles. As poucas queimaduras que restaram não seriam suficientes para impedi-lo de levantar-se e brandir seu machado bárbaro uma vez mais. Todos então respiraram aliviados, pois Cronn havia retornado da morte.

continua...

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