Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

12.3.07

O nascer de um urso (VII)

Os goblins de Terra Próxima tem estatura pequena, corpos esguios e cabeças grandes com olhos amarelos esbugalhados... Poucos eram aqueles que saíam do Arco dos Goblins, sua terra natal, e vinham se intrometer nos afazeres dos viajantes e bárbaros da Floresta do Sul. Menos ainda, deve-se dizer, eram os rotunianos que respeitavam-nos como oponentes dignos ou perigosos.

Mas não foi o que se viu no olhar dos goblins possuídos. Atacando sem hesitação e sem medo, como se sua própria vida dependesse de que a matança dos monges Sanandan fosse consumada, os seres diminutos brandiam seus machados e espetavam suas lanças nos poucos monges que ainda resistiam...

Isso foi até ouvirem a marcha avassaladora dos bárbaros de Terralta chegar a clareira, muitos não tiveram tempo de se defender, e cabeças de goblins rolaram pelo chão, que estava cada vez mais tingido de sangue e de morte!

A princípio, a carga dos bárbaros foi suficiente para cercar a carruagem indefesa, e afastar os goblins momentâneamente... Foi precisamente nesse momento que Oldalin bradou para o monge cavaleiro, embora não tivessa ainda visto seu rosto:

“Deves ter algo de muito valioso nessa carroça, guerreiro Sanandan, pois não é comum uma horda de goblins se deslocar de suas terras até nossa floresta... Você está ferido? Precisa de ajuda?”

O cavaleiro encapuzado nada respondeu, apenas apontou com sua maça já vermelha de sangue goblin para um ponto no meio da mata, de onde alguns goblins ainda saíam. Depois sussurrou, e seu sussurro pareceu muito estranho para os ouvidos bárbaros de Oldalin:

“Ainda não acabou...”

Enquanto os bárbaros de Terralta ainda terminavam de limpar a área à volta da carroça da imundice goblin, um novo perigo surgiu de dentro da mata... Era um hobgoblin, um goblin mais forte e mais alto, fruto da miscigenação com orcs, gnolls, ou criaturas mais vis. Não era um hobgoblin habitual, pois vestia-se em um manto mais negro que a noite, onde nem a luz das estrelas era refletida. Caminhava a passos largos, e tinha a face raivosa... Parou alguns metros depois, e antes que os bárbaros pudessem ataca-lo, pronunciou alguma maitranda e gesticulou no ar, finalmente apontando em direção a primeira fileira de rotunianos que defendia a carroça...

O jovem Gorz estava nessa fileira, juntamente com outros batedores, alguns guerreiros, e também Cronn, um dos comandantes de caça... Poucos sairiam vivos.

Em um piscar de olhos, um círculo luminoso se formou da ponta dos dedos do hobgoblin, e em seguida foi arremessado em direção ao grupo. Era uma potente bola de fogo, a maitranda mais mortal e temida pelos bárbaros de Terralta... Explodiu em meio aos cavalos e os rotunianos, não poupando seguer outros goblins desprevenidos que não tiveram a chance de correr.

Gorz apenas fechou os olhos e rezou para que o Senhor da Montanha lhe considerasse um guerreiro digno de seu reino, e não o expulsa-se dos céus como fazia com os fracos e covardes... Sentiu a sela e o cavalo sumirem de baixo de seu corpo, e depois gritou de dor ao cair violentamente ao solo.

Ao abrir os olhos, viu que muitos bárbaros e goblins gritavam de dor, alguns mesmo ainda com chamas no corpo... Mesmo Cronn ardia em chamas, embora não preferisse nenhuma exclamação nem pedisse socorro. Mas o mais incrível era que Gorz não sentia nenhuma dor! Achava que tinha morrido, e tentou achar seu corpo pelo chão, mas então viu que em meio aquela desolação de fumaça negra e morte, acabara dirigindo-se para muito perto do mago hobgoblin.

Antes que os bárbaros de Terralta pudessem se reagrupar e repensar sua “estratégia”, os goblins iam fugindo, a não ser pelo hobgoblin, que voltou a gesticular e pronunciar palavras místicas.

Mesmo por detrás de toda a fumaça, e esquivando-se dos goblins arqueiros que atiravam para cobrir a fuga de seus comparsas, Ruther pode perceber que o jovem Gorz seria o alvo daquela maitranda, e talvez dessa ele não escapasse...

“Gorz! Ataque-o! Não deixe ele terminar...” – Berrou desesperadamente o bárbaro poliglota, tentando alertar o batedor.

Foi o suficiente. Ao ouvir o brado de Ruther, Gorz correu de encontro ao mago e encravou sua lança em seu peito, antes que ele finalizasse mais uma maitranda mortal. O golpe transpassou o hobgoblin, e este não pode terminar sua magia, já que ainda não eram conhecidos em Terra Próxima magos que pudessem lançar feitiços mesmo depois de mortos.

Não foi nesse dia, afinal, que o jovem Gorz encontrou a Thrundaar.

continua...

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