Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

5.3.07

O nascer de um urso (VI)

Ruther berrou de dor e soltou o anel, que foi acabar no meio da mata que beirava a estrada. Quando viu a própria mão, ficou mais tranqüilo: A dor já passara e sobrara apenas uma pequena queimadura a volta dos dedos... Mas isso foi o suficiente para que muitos dos que viram a cena lhe rogassem pragas, dizendo que havia sido amaldiçoado pela maitranda. A verdade é que muitos bárbaros de Terralta não simpatizavam com o estilo “toraniano” de Ruther.

Após tal incidente, todos estavam aflitos, esperando serem emboscados por demônios a qualquer momento... Ficaram em posição de batalha, juntos no meio da escuridão da Floresta do Sul, como já haviam feito tantas vezes para defender sua tribo de orcs vindos do norte ou rotunianos das Ilhas da Chuva tentando conquistar território. Todos os bárbaros fitavam as sombras, que eram por sua vez iluminadas por algumas das tochas do grupamento; A não ser pela tocha que o jovem Gorz carregava, esta estava baixa, iluminando o matagal próximo as cinzas do homem encapuzado...

Nada ocorreu nos momentos seguintes, mas logo todos puderam ouvir um imenso estrondo ecoando pela mata, o que mais parecia a erupção de um pequeno vulcão, coisa que só os mais viajados dentre os que ali estavam já tinham ouvido falar. De qualquer forma, em seguida todos já sabiam o que viria...

Oldalin subiu em seu cavalo como uma onça pintada subiria em uma árvore, alçou o machado do Elmo ao ar e bradou: “Guerreiros e batedores de Terralta, eu quero uma carga como essa terra nunca sentiu! Eu quero uma canção de guerra digna dos guerreiros das tribos ancestrais! Vamos, me sigam, por Thrundaar e pela Mãe Terra!”

Não ouve tempo para estratégias ou táticas, houve apenas a ferocidade dos guerreiros de Terralta, e também uma canção de guerra que não era cantada com tanta bravura faziam-se anos... Dentre aquela marcha de batalha, apenas os mais fracos ou medrosos ficaram para trás...

A marcha de Terralta corria a passos largos de cavalo, e o chão estremecia ainda mais do que a parca luz das tochas dos batedores. Dentre eles, apenas o jovem Gorz havia ficado para trás, o que foi notado por Ruther, que tentava em vão aproximar-se de seu cavalo dentre a carga feroz dos bárbaros.

“Ei garoto! Você achou?” – Gritou Ruther.

“Achei? O que? Demônios?” – Retrucou o jovem batedor.

“Demônios vamos achar agora... Mas e o anel, você o pegou?”

Ruther não obteve resposta, pois não havia mas tempo... A carga estava prestes a terminar.

Oldalin foi o primeiro a observar a cena. Chegaram a uma espécie de clareira, onde a estrada bifurcava em duas direções, uma vindo de norte, o caminho que seguia até o Elmo, a outra vinda do leste, a trilha que embocava no mosteiro dos monges Sanandan, que rezavam para Ayon e costumavam viajar o mundo divulgando sua doutrina.

Próxima a bifurcação havia uma enorme carruagem de madeira de lei, que pegava fogo na parte dianteira, onde se viam dois homens encapuzados como aquele que pegara fogo na estrada, o destino destes era bem parecido...

Em cima da carroça dois monges atiravam pedras e paus, desesperadamente, para tentar afugentar seus algozes... Goblins!

Mas não goblins normais, até porque goblins não eram vistos nessa região a muitos e muitos anos... Oldalin logo percebeu que os goblins estavam tão possuídos quanto aquele urso infernal que enfrentou tempos atrás. E atacavam os pobres monges como se sua vida dependesse disso... Corpos e mais corpos envoltos em mantos ensanguentados eram contados pelo chão da estrada. Mas nem todos, nem todos cediam sem lutar!

Apenas quando chegou mas perto da carroça, Oldalin percebeu que havia um monge montado em um cavalo de guerra e armado com uma maça de batalha e um escudo de aço com símbolos da ordem Sanandan cuidadosamente gravados, este lutava para salvar os que ainda restavam agonizantes na carroça, e como lutava!

Cabeças de pobres goblins eram esmagadas por golpes sem misericórdia, mas não seria um único herói que salvaria sua ordem monástica. Era preciso mais para enfrentar aquele batalhão de goblins armados com lanças e machadinhas mortíferas... Possuídos pela maitranda...

Era preciso que a carga de Terralta continuasse, impiedosa!

continua...

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