Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

27.3.07

O nascer de um urso (IX)

Cronn levantou-se de um pulo, ainda assustado com o que se passara... Nunca havia sido curado pela magia divina de uma seguidora de Sananda e Ayon, tampouco havia chegado tão perto da morte e retornado. Após se recompor e ter certeza de que estava mesmo vivo, ajoelhou-se ante a bela Allia e proferiu:

“Me perdoe por duvidar de seu deus, curandeira. Até hoje não havia visto tal demonstração de cura. Eu, Cronn de Terralta, estou em dívida para com você e seu deus!”

A resposta de Allia foi rápida e inesperada. Ao contrário dos outros toranianos que Oldalin havia encontrado pela Floresta do Sul, ela agiu de maneira um tanto o quanto humilde: agachou-se até a altura de Cronn e ajudou-lhe a levantar-se, com uma força incomum para uma mulher tão esguia.

Logo após, sorriu para Cronn e virou-se para os bárbaros de Terralta e os poucos monges que sobreviveram a chacina; E então discursou:

“Hoje estou triste, pois muitos irmãos pereceram ante a fúria do mal que vem do oeste. Mas também estou alegre, pois vi que unidos, podemos vencer qualquer perigo e qualquer ataque demoníaco!

Os dias que se seguirão não serão nada tranqüilos, ò povo de Terralta. Nem para vocês, nem para os rotunianos do sul de Pontepedra, nem para ninguém que habite a Terra Próxima...

Uma nuvem escura se forma no continente negro de Dordread, e de lá vem o Surgimento Demoníaco. Eles virão atacar nossas terras, começando pelos indefesos e acabando pelas grandes cidades e fortes protegidos... Nenhum povo desse mundo fará frente a eles. Mas unidos poderemos resistir ao grande mal que se organiza para varrer toda a vida de Terra Próxima, somente para ter certeza de que uma maldita espada não seja nunca mais utilizada.

Eu venho aqui, ò povo guerreiro, pedir auxílio para que eu possa chegar com minha mensagem de esperança nas terras do norte. Eu venho em uma missão de vital importância para que nossas terras continuem protegidas e seguras. Trago informações descobertas por nosso mestre, Selvanius, com o custo de sua sanidade, e que devem chegar o mais rápido possível à cidadela de Bak!”

A princípio, poucos foram os bárbaros que entenderam o que Allia quis dizer. Apesar de toda a sua beleza e eloqüência, Allia não poderia transmitir todo seu conhecimento da drástica situação do mundo para aquele punhado de rotunianos que passavam a vida ao largo dos grandes acontecimentos das terras mais civilizadas, e apenas ouviam um ou outro rumor trazido pelos mensageiros do norte.

No entanto, entre eles havia um bárbaro que havia de fato viajando por terras muito distantes, e conhecido culturas diversas com as quais seus irmãos nem sonhavam existir. Então a resposta coube a Ruther, o das Mil Línguas:

“Ela fala a mais pura verdade, Oldalin. Em minhas andanças pelo norte, pude comprovar que esses demônios estão mesmo assassinando e pilhando em fazendas e pequenos vilarejos... Eu sempre soube, mas nunca ousei dizer a todos vocês, que um dia essa praga chegaria a Floresta do Sul e as Terras da Caça.

Como o mais viajado de nossa tribo, eu me prontifico a auxiliar aos monges Sanandan e seguir com eles até a cidade murada de Bak, a qual estive mais de uma vez...”

Nesse momento, o líder guerreiro de Terralta, Oldalin o Grande Urso, que estivera calado, levantou sua voz estrondosa, que ecoou por entre as árvores naquela manhã sangrenta:

“Por Thrundaar! Confio que tenha viajado pelos quatro cantos do mundo, Ruther, mas não cabe a você decidir. Se o que a mulher diz é verdade, não é somente o destino dos bárbaros de Terralta ou dos monges Sanandan que está em jogo, mas o destino de todo o mundo. Fui eu o encarregado de proteger nossa tribo dos demônios, já que matei um ainda jovem. E então sou eu que devo oferecer meu machado a causa da curandeira.”

Todos os bárbaros ficaram estupefatos, afinal nem o mais idiota dentre eles considerara ter de voltar para sua tribo aquele dia sem a presença de seu grande líder, ao qual muitos consideravam um guerreiro sobrenatural. Apenas Allia parecia sorrir timidamente por detrás de seu brilhante elmo, e logo após o silêncio foi novamente interrompido:

“Não diga asneiras Oldalin, todos sabem que o líder guerreiro de Terralta deve permanecer em Terralta!” – Retrucou Braubo com seu costumeiro tato.

E foi seguido por Ruther: “Isso mesmo Oldalin. Logicamente que sei que você é o nosso melhor guerreiro, e por isso mesmo preferia que ficasse e defendesse nossas mulheres e nossas crianças...”

“Ora vocês estão me parecendo um bando de coelhos assustados... Não vamos mais ficar escondidos em nossa toca enquanto os demônios arrasam com todas as terras. Se deixarmos que isso aconteça um dia chegará a nossa vez, e nem mesmo Thrundaar poderá nos salvar do mal.

Eu, Oldalin, chefe guerreiro da tribo de Terralta, digo-lhes que à partir de hoje Cronn tomará o meu lugar como líder. Pois que o machado de meu pai seguirá para outras terras, talvez mais longínquas que as que Ruther um dia caminhou.” – Disse Oldalin, e depois completou, virando-se para Allia – “Você pediu ajuda e a terá, minha cara. Eu levarei você e sua mensagem até a porta do décimo inferno, se for preciso!”

Após tantas novidades, só restou aos que ali estavam enterrar seus mortos, curar seus feridos, e aproveitar a segurança da manhã para descansar um pouco, já que o futuro ainda traria muita dor e sofrimento, e muitas noites de angústia e preocupação...

continua...

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