Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

26.2.07

O nascer de um urso (V)

Quando Oldalin chegou ao local onde jazia o corpo, já havia uma dúzia de curiosos que o cercavam, e a luz das tochas quase ofuscava o estranho brilho alaranjado que emanava da carcaça sem vida.

“Saim, idiotas! Deixem que o chefe e os comandantes da caçada verifiquem essa maitranda! Temos de formar posições de guarda!” – Gritou um dos batedores, ao que Oldalin apenas aprovou com um movimento da cabeça.

E quando o cavalo de guerra de Oldalin parou a alguns metros do corpo, foi o jovem Gorz que o ajudou a segurar o cavalo enquanto ele descia (mesmo sendo totalmente desnecessário, já que Oldalin poderia descer com um pulo de um cavalo à galope)...

“E então jovem guerreiro, o que viu agora a pouco?” – Indagou o Grande Urso.

“Chegamos na estrada, senhor, e estávamos já nos preparando para desmontar do cavalo quando ele aparceu vindo do norte e com esse estranho brilho alaranjado... Como não falou nada, nem pediu ajuda, achamos que era um demônio e prontamente tomamos posição de combate... Mas então... Então ele caiu e...”

“E está caído! Muito bem, jovem Gorz, vocês agiram corretamente; Qualquer um que aparece no meio da escuridão com um brilho em volta do corpo merece atenção redobrada... Agora vá ajudar a formar a guarda.” – Ordenou Oldalin, no que foi prontamente obedecido.

Oldalin e seus três comandantes de caça desceram dos seus cavalos e se reuniram à volta do moribundo... Tratava-se de uma visão singular: no meio daquela noite escura no interior da Floresta do Sul, caçando demônios, fitavam um homem morto, provavelmente toraniano ou mestiço, vestindo um manto esfarrapado e sujo de lama, do qual mal se via a cor original (talvez um branco ou um cinza claro) e envolto pelo estranho brilho alaranjado que emanava de seu cadáver.

Os comandantes de caça da tribo de Terralta eram o equivalente ao que os generais de batalha de Bak eram para o seu governador, com a diferença de que tanto os generais quanto o governador raramente deixavam sua cidade-estado para ir caçar demônios nas redondezas de seu reino... Aqui cabe apenas dizer os nomes daqueles que seguiram Oldalin nesta caçada: Cronn, Braubo e Ruther o Das Mil Línguas (um nome um tanto o quanto exagerado, mas ele de fato sabia falar várias línguas e dialetos das diversas raças de Pontepedra).

“E então, o que acham?” – Perguntou Cronn, o mais falante dos que ali estavam.

“Isso é maitranda maléfica, aposto que esse infeliz foi amaldiçoado pelos demônios... Deveríamos nos livrar dele o quanto antes!” – Agora Braubo, que era um tanto rude em seus pronunciamentos.

“Acho que se fosse maléfica ele estaria todo desfigurado ou destruído. No entanto eu observo um homem quase inteiro, difícil achar algum ferimento à primeira vista; Mas sua cabeça está coberta pelo manto, e talvez ali esteja a causa da sua passagem...” – Sim, Ruther gostava de fazer valer sua vasta cultura de viajante, e pronunciava o comum quase tão bem quanto um toraniano de Talantha.

“É estranho. Esse brilho alaranjado mais parece um fogo brando...” – Disse Oldalin, e enquanto ponderava, aproximou a ponta de seu arco do corpo... De imediato, a madeira de lei começou a escurecer e se retorcer! Não houvesse retirado a tempo, o arco teria sido sériamente danificado.

“Fogo! O arco de Oldalin quase pegou fogo!” – Resumiu Cronn.

“Eu disse, Ruther pode ser bom com as palavras, mas nada engana a intuição de um bárbaro de Terralta!” – Resmungou Braubo.

Nesse momento, enquanto o próprio Oldalin parecia concordar que aquilo era maitranda destrutiva, Ruther havia matado a charada...

O bárbaro poliglota se agaixou e rapidamente pegou na mão do cadáver... Havia achado um estranho anel de cobre em seu dedo, de onde a emanação alaranjada era mais forte.

Resistindo a dor que sentia na própria mão, que parecia estar mesmo sendo queimada, retirou o anel do corpo sem vida, e saltou para trás assustado...

Em segundos, o corpo se consumiu numa labareda de fogo. Enxofre e cheiro de carne queimada e pútrida tomou conta da mata. Mas do corpo só restaram as cinzas e um pequeno anel de cobre.

continua...

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