Fantasia e Cia.

Prazer em imaginar.
 

10.2.07

O nascer de um urso (III)

As estações passavam como o sol antecede a noite... Nas tribos bárbaras do sul de Pontepedra, um dia não difere muito do outro: existiam épocas de pouca caçada, épocas de fartura, verões muito secos e invernos agradáveis... Após algumas estações Oldalin era agora o destemido chefe caçador da tribo de Terralta. Angor, o curandeiro, estava muito velho e quase senil; Baldin também envelhecera, embora continuasse a ser o líder do Grande Conselho Tribal. Numa tarde seca de primavera, o jovem Gorz, um dos batedores dos grupos de caçada, respeitosamente dirigiu-se ao Grande Urso: “Diga-me Oldalin, não acha estranho que tenham se passado anos desde que ouvimos falar de alguma maitranda como a que levou-nos Gunther... e quase ao senhor?”

Oldalin levantou-se vagarosamente de sua rede, onde costumava descansar nos dias secos, e caminhou até Gorz, que por um momento estremeceu com o olhar de reprovação que vinha se aproximando.

“Deveria alegrar-te antes de mais nada, jovem Gorz, que eu lhe digo: Seria melhor que nunca mais voltassem a aparecer...” – falou o urso imponentemente, até que recuou a voz e sussurrou – “Mas infelizmente não são essas as boas novas que os mensageiros do norte nos trazem.”

De fato, naquela primavera, ouviram-se relatos estranhos por toda Pontepedra, e mesmo nas terras nobres de Torann. Eram histórias de seres infernais que atacavam caravanas mercadoras, pequenos vilarejos indefesos, e mesmo viajantes incautos. Demônios, alguns alados, mas todos ferozes e sanguinários, de pele negra ou avermelhada, assombravam os habitantes de toda Terra Próxima... Os grandes conselheiros das cidades-estado defendiam que se tratava de mais um Surgimento, como aquele que acontecera nas lendas sobre a Primeira Guerra; Já os bardos cantavam tragédias sobre o retorno de um lorde demoníaco, que habitava o passado sombrio do mundo; Enquanto os sacerdotes rezavam a Ayon para que nada do que fora ouvido fosse realmente a realidade tão temida... Mas a realidade não poupa a ninguém, e não obedece a preces nem maldições.

Dois dias antes daquele dia seco de primavera, um mensageiro em seu cavalo trouxe notícias que ninguém desejava ouvir...

“Como assim? Eu cheguei de uma caçada longa, que durou dias, não ouvi sobre as notícias do norte...” – indagou Gorz, agora ainda mais preocupado.

“Não sou um mensageiro, jovem caçador, e agora mesmo estava descansando minha mente e tentando receber alguma inspiração do senhor da montanha, pois mesmo eu que sou o chefe dessa tribo não sei o que fazer... Procura saber sobre a maitranda que retornou a esse mundo, mas depois descanse... Que daqui a duas luas saíremos para investigar que estranhos seres invadiram a Floresta do Sul. E se preciso for, usaremos de nossos machados, nossas lanças e nossos arcos!”

Nesse momento Oldalin caminhou em direção a tenda de reuniões do conselho tribal, como se o jovem Gorz nem estivesse ali... A lua já despontava no alto do horizonte, vinda de sua morada por trás das núvens. Era uma lua cheia, e ao olhar para o alto o jovem caçador de Terralta pôde apreciar toda a sua magnitude; Sua mente, no entanto, só conseguira pensar em uma frase...

“Duas... Duas luas...”

continua...

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